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Muito antes das agulhas elétricas: o achado nos alpes em 1991 que provou que a idade da pedra já usava arte na pele

Descoberta de múmia de 5. 300 anos revelou marcas corporais que representam os registros de tatuagem mais antigos documentados pela
Portal Biss
27 de outubro de 2026 às 10:11hs
Muito antes das agulhas elétricas: o achado nos alpes em 1991 que provou que a idade da pedra já usava arte na pele
Em 1991, a descoberta da múmia conhecida como Homem do Gelo nos Alpes revelou que a prática de marcar a pele humana remonta à Idade da Pedra. O corpo preservado de 5. 300 anos apresentava linhas azuis gravadas na pele, identificadas por cientistas como as marcas de tatuagem mais antigas da história ou registros de tratamentos terapêuticos milenares.

A análise desses vestígios preservados tornou-se fundamental para compreender as origens da pigmentação corporal na humanidade.

De cultos de fertilidade a proibições religiosas

Pesquisadores indicam que a tatuagem surgiu da tentativa de tornar as pinturas corporais permanentes, permitindo ao indivíduo carregar a própria história gravada no corpo. Além da múmia dos Alpes, vestígios em múmias egípcias femininas de 2160 a. C. , como a de Amunet, trouxeram desenhos no abdômen associados a cultos de fertilidade no Egito Antigo.

Ao longo dos séculos, as marcas assumiram funções de rituais, identificação social, ornamentação e camuflagem. No Império Romano, a técnica foi aplicada com a finalidade de marcar prisioneiros e escravos. Posteriormente, no Ocidente, a prática caiu em desuso ao ser proibida pelo cristianismo, com base em preceitos do livro bíblico de Levítico, que vedava incisões no corpo por causa dos mortos.

Redescoberta global e a revolução da máquina elétrica

A tradição foi redescoberta no Ocidente em 1769, quando o navegador James Cook documentou na Polinésia a prática de injetar pigmentos sob a pele, chamada de "tatau". Décadas mais tarde, Charles Darwin registrou que nenhuma nação do planeta desconhecia essa arte, praticada desde povos indígenas americanos até esquimós.

Com a invenção da máquina elétrica em 1891, o processo de tatuar cresceu na Europa e nos Estados Unidos. O hábito, anteriormente associado a marinheiros e presidiários, popularizou-se entre o público jovem no final do século 20.

Diversidade cultural e rituais milenares pelo mundo

Ao redor do mundo, diferentes sociedades desenvolveram tradições corporais próprias. Na Polinésia e no Taiti, a marcação definia a classe social e possuía origem ligada à mitologia local.

Na Nova Zelândia, os desenhos espiralados maori indicavam a hierarquia social dos homens livres, e as cabeças tatuadas dos chefes eram preservadas pela família como relíquias após a morte.

No Japão, a técnica envolveu coberturas corporais completas que, posteriormente, foram vinculadas à máfia Yakuza. Enquanto na Índia se desenvolveu a pintura temporária de henna para casamentos, em tribos africanas do Sudão a escarificação consolidou-se por meio de incisões corporais realizadas em três etapas ao longo da vida das mulheres.

Fonte: cnnbrasil. com. br

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