
Quando se assiste Souvenir, documentário de 2007, percebe-se que mesmo o OMD reformado não se importou que soubéssemos mais nomes além da dupla fundadora. Nos mais de 90 minutos dirigidos por Rob Finighan, apenas Andy e Paul falam, Os outros dois membros ficam constrangedoramente em segundo plano, às vezes, com o narrador falando sobre eles e assim mesmo aparecem só quando não havia mesmo outro jeito, a saber, quando o OMD começa os ensaios pra sua volta de 2006. Considerando-se que desde sempre a dupla McCluskey/Humphreys tem sido creditada como os inovadores por trás do nome OMD, ninguém deve realmente se importar com o eclipsar dos demais.
Souvenir opera em dois tempos narrativos intercalados: o presente que em 2007 já era passado e o passado propriamente dito, do início da banda, até a saída de Paul, em 1988, descontente com o comercialismo pós-Dazzle Ships (1983).
O "presente" mostra Andy e Paul ensaiando duro para uma apresentação com orquestra pra TV alemã. Eles fingem que contam porque reataram a parceria após 17 anos e vemos até entrevistas com a plateia do show íntimo realizado pra 100 fãs escolhidos no site. Antes de embarcar na primeira turnê do bem-sucedido retorno (ano passado lançaram elogiado álbum, inclusive), o OMD queria testar se ainda tinha química para entreter. Claro que a plateia perdoaria deslizes, porque fanática, mas não deixou de ser bom aquecimento e calibrador. É tão legal ver fãs de música pop, então já bem avançados na meia-idade, sendo entrevistados em comparação ao que a grande mídia mostra ao priorizar astros jovens (que é o correto mesmo, assuma-se).
Nas partes dedicadas à trajetória, Paul e Andy visitam locais em Liverpool, onde começaram, hoje irreconhecíveis, porque depósitos ou símiles. A concepção de clássicos como Electricity, Enola Gay e Souvenir é abordada, assim como as objeções de cada um, quando se tratou de composição solo do outro. Andy e Paul deviam ser bastardos arrogantes no auge, quando sintetizaram magistralmente a eletrônica do Kraftwerk, com a crueza punk e o desespero sombrio e gélido do pós-punk à Joy Division.
Essas influências são reconhecidas, assim como a arrogância, como quando o duo esnoba o ZZ Top, que no começo dos 80’s já era passado. E não é que na autobiografia dos roqueiros ianques, eles citam o OMD como motivador pro renascimento oitentsita dos barbudos?
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