
Atendendo a pedidos do público, o jornalista tentou montar um "três mais" com seus favoritos da banda, mas acabou ampliando a seleção para cinco títulos em vídeo publicado no seu canal no YouTube. Mesmo assim, obras como "Beggars Banquet" e "Aftermath" ficaram de fora, ausência que, segundo ele, "sangrou a minha alma". Regis avisou que a lista não segue ordem de preferência.
A primeira escolha foi "Exile on Main St. ", de 1972, apontado por ele como a maior conquista discográfica do grupo. Regis relembrou as gravações no porão úmido de uma mansão no sul da França, onde o ambiente afetava a afinação dos instrumentos e obrigava a equipe a puxar cabos até um caminhão de gravação estacionado do lado de fora. "Esse álbum é como se fosse um documento sonoro a respeito da decadência, a respeito do excesso, da capacidade quase sobre-humana de você criar arte sublime no meio do caos absoluto, caos de ambiente, caos de circunstância", definiu.
Na sequência veio "Sticky Fingers", de 1971, com a capa criada por Andy Warhol e o famoso zíper de metal. Foi o primeiro lançamento do selo próprio da banda, o Rolling Stones Records. Regis destacou a abertura com "Brown Sugar", a balada "Wild Horses", inspirada em Gram Parsons, e "Can't You Hear Me Knocking", que começa com um riff de Keith Richards e se transforma numa jam session com pitadas de funk e jazz, com solos de Mick Taylor na guitarra e de Bobby Keys no saxofone.
Let It Bleed", de 1969, completa a trinca de clássicos. Regis lembrou que o disco chegou às lojas um dia antes da tragédia de Altamont e meses depois da morte de Brian Jones, clima que transparece em "Gimme Shelter", "Midnight Rambler" e "Live With Me". "Esse disco até hoje é o retrato do caos transformado em genialidade completamente bruta. Ele consolidou os Stones como os cronistas do lado escuro da cultura pop, que deixou de ser bonitinha, deixou de ser psicodélica e passou a ser muito densa, passou a ser perigosa", disse.
A quarta escolha, "Tattoo You", de 1981, nasceu de forma curiosa. Com os integrantes brigados e sem condições de compor juntos, o produtor Chris Kimsey vasculhou os arquivos da banda atrás de material para sustentar uma turnê americana. "Tops" e "Waiting on a Friend" vieram das sessões de "Goats Head Soup", ainda com Mick Taylor, e "Start Me Up" saiu de um esboço da época de "Black and Blue" chamado "Never Stop". Jagger regravou os vocais, Ron Wood acrescentou guitarras e o resultado soou como um retorno à melhor forma.
O fechamento ficou com a escolha mais surpreendente: "Black and Blue", de 1976. Gravado depois que Mick Taylor deixou o grupo, logo após "It's Only Rock 'n Roll" (1974), o disco funcionou como um teste para escolher o substituto. Wayne Perkins, músico de estúdio de Muscle Shoals, brilhou em "Hand of Fate" e "Fool to Cry", e Harvey Mandel, do Canned Heat, em "Hot Stuff". Ron Wood levou a vaga pela convivência com a banda e pelo trabalho em "Hey Negrita" e "Crazy Mama". Para Regis, o álbum merece outra reputação:
Até hoje é um álbum criminosamente criticado e até mesmo ignorado. Mas esse álbum demoliu de vez a impressão errada que o público e grande parte da imprensa tinham de que os Rolling Stones eram formados por estátuas de sal presas naquele blues britânico dos anos 60. Esse álbum escancarou a capacidade dos caras de assimilar a música preta contemporânea daqueles tempos, o verdadeiro funk, o reggae, o rhythm and blues. E eles fizeram isso sem perder um milímetro sequer da própria identidade. "
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