
Passar o carro por cima de cacos de vidro é um pesadelo para qualquer motorista. Mas nos anos 1970, uma iniciativa de engenharia mostrou que o asfalto pode ficar mais seguro e duradouro com um pouco de vidro triturado.
O material chamado "glassphalt" foi testado pela primeira vez na cidade de Fullerton, Califórnia. Milhares de garrafas que seriam descartadas foram trituradas e incorporadas a outros materiais para pavimentar um trecho de 183 metros em um parque industrial.
Meses depois, a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) analisou dados de desgaste, tração, temperatura e abrasão para avaliar se o material poderia ser uma boa ideia para ser implementado em outras estradas. Os resultados foram surpreendentemente positivos.
Rua de vidro, poeira e cal
Em outubro de 1970, um trecho de 600 pés foi asfaltado com revestimento misto: um terço recebeu a mistura convencional de rochas e cal, e os dois terços restantes receberam vidro moído de garrafas não retornáveis. O "glassphalt" aplicado trazia 63% de vidro triturado, 36% de pó de rochas e 1% de cal hidratada – esta última para impedir que os outros dois componentes se descolassem.
Em março do ano seguinte, a Divisão de Rodovias da Califórnia realizou testes de aderência e constatou excelente resistência ao derrapamento, superior aos requisitos mínimos de segurança para uso em estradas públicas.
Após dois anos de tráfego constante sobre a via, novos dados confirmaram o bom desempenho do asfalto com vidro: a rua continuava com boas condições estruturais e de segurança, embora os trechos que receberam partículas de vidro maiores apresentassem maior desgaste.
Quais estradas já usam asfalto com vidro?
O experimento deu o pontapé inicial para o uso de outras fontes de vidro reciclado para revestir ruas, caminhos de pedestres e estacionamentos em todo o país. O termo "glassphalt" foi criado pela fabricante Owens-Illinois, que o testou em sua própria fábrica; nos anos seguintes, o material já estava presente em outros 13 estados americanos e até no Canadá.
Os benefícios são, principalmente, ambientais. O uso de componentes reciclados reduz a demanda por recursos limitados, como a areia natural, e alivia o acúmulo de lixo em aterros e em locais impróprios para descarte.
No entanto, o custo de coleta, limpeza e trituração do vidro é um dos principais obstáculos. Nem todo vidro pode ser usado: alguns, como o de lâmpadas fluorescentes, contêm traços de metais pesados que podem ser perigosos à saúde humana quando submetidos ao calor intenso das estradas.
Fonte: cnnbrasil. com. br