
A síndrome do intestino irritável (SII) é uma condição frequente, e estudos apontam fatores genéticos em comum com transtornos de humor e ansiedade. Embora a conexão entre cérebro e intestino seja cada vez mais estudada, a causa exata da síndrome ainda não foi esclarecida.
O que cérebro e intestino têm em comum?
A comunicação entre os dois órgãos é constante. Desde a publicação do livro O Segundo Cérebro, do médico norte-americano Michael Gershon, em 1998, pesquisas têm aprofundado a compreensão dessa relação.
Um estudo publicado em 2021 na revista Nature Genetics analisou dados genômicos de 53, 4 mil pessoas com síndrome do intestino irritável e de outras 433, 2 mil sem o diagnóstico. Os pesquisadores identificaram seis genes associados à suscetibilidade à doença. Quatro deles também estavam relacionados a transtornos de humor e ansiedade.
Outro ponto de conexão é a serotonina, substância envolvida na regulação do humor e do funcionamento intestinal. No intestino, ela participa do controle da motilidade, ou seja, dos movimentos responsáveis pelo trânsito do conteúdo digestivo. Boa parte da serotonina do organismo é produzida por células enterocromafins presentes no próprio órgão.
Essa relação ajuda a entender por que sintomas intestinais e sofrimento emocional podem aparecer na mesma pessoa. Em alguns casos, os sinais digestivos levam o paciente a procurar atendimento médico e, durante a investigação, surgem questões relacionadas à saúde mental.
O que é a síndrome do intestino irritável?
A SII é um distúrbio funcional digestivo. Isso significa que o intestino apresenta alterações no funcionamento sem necessariamente mostrar lesões estruturais capazes de explicar os sintomas.
Entre as manifestações mais comuns estão:
Dor ou desconforto abdominal;
Barriga inchada e excesso de gases;
Cólicas frequentes;
Alternância entre diarreia e prisão de ventre;
Mudanças no aspecto das fezes;
Sensação de evacuação incompleta.
Como é feito o diagnóstico.
Um episódio isolado de desconforto após uma refeição diferente ou uma semana estressante não significa, por si só, que a pessoa tenha a síndrome. O diagnóstico depende da persistência dos sintomas por ao menos 12 semanas consecutivas e da avaliação médica, e pode incluir exames laboratoriais e de imagem.
O médico também precisa avaliar outras condições capazes de provocar manifestações semelhantes, como intolerâncias à lactose ou ao glúten.
É importante diferenciar a SII de doenças que provocam alterações estruturais no intestino, como doença diverticular, tumores, retocolite ulcerativa e doença de Crohn. Conforme o quadro clínico, podem ser necessários exames como colonoscopia e tomografia.
A síndrome afeta cerca de 10% a 15% da população e é mais frequente entre mulheres de 30 a 50 anos. Por outro lado, a prevalência diminui após os 60 anos, embora o motivo não seja totalmente claro. Alguns especialistas acreditam que o aspecto psicoemocional, a vivência da pessoa mais velha e a sensibilidade do intestino nessa faixa etária possam estar entre as explicações.
Como controlar os sintomas?
A síndrome do intestino irritável não tem cura, mas pode ser controlada. O tratamento combina medidas ajustadas aos sintomas e às necessidades de cada paciente, com possibilidade de uso de medicamentos para aliviar manifestações mais intensas.
A alimentação também merece atenção. Frituras e outros alimentos gordurosos, café, chocolate e bebidas alcoólicas podem agravar os sintomas em algumas pessoas. Fibras naturais podem ajudar a hidratar as fezes e regular o trânsito intestinal. Probióticos, como os presentes no kefir, também podem ser considerados conforme a avaliação profissional.
A prática de atividade física e o controle do estresse complementam os cuidados. Como a síndrome pode envolver fatores digestivos e emocionais, o acompanhamento multidisciplinar, com apoio médico, nutricional e psicológico, ajuda a individualizar o tratamento… - Veja mais em https://www. uol. com. br/vivabem/noticias/redacao/2026/10/15/intestino-irritavel