
Na história da humanidade — que certamente não é curta — poucas pessoas alcançaram um nível de reconhecimento, prestígio e admiração comparável ao de Albert Einstein. Seu sobrenome, inclusive, tornou-se sinônimo universal de genialidade. Quando alguém se destaca pelo intelecto, é comum que seja chamado de “Einstein”, assim como mentes brilhantes são associadas a “Sherlocks” ou pessoas muito atraentes a “Apolos”.
Apesar de sua fama mundial, o físico alemão tinha uma visão bastante clara sobre o que uma pessoa deveria buscar para se sentir realizada. Para ele, o segredo da felicidade não estava exatamente no sucesso, no dinheiro ou nos aplausos, mas em se tornar alguém “de valor”.
O mundo se despediu de Albert Einstein em 18 de abril de 1955, quando um aneurisma tirou sua vida em Princeton, nos Estados Unidos. Aos 76 anos, ele já havia conquistado o Prêmio Nobel de Física e era amplamente reconhecido por revolucionar a compreensão humana sobre o universo com suas teorias.
Pouco antes de sua morte, Einstein recebeu em sua casa, em Nova Jersey, a visita de um grupo curioso de pessoas interessadas em discutir algo bem diferente da teoria da relatividade ou da curvatura da luz: o sentido da vida.
O grupo era formado por William Hermanns, poeta e amigo pessoal de Einstein; William Miller, editor da revista Life; e o filho dele, Pat, um jovem que estava iniciando seus estudos universitários em Harvard.
Mais tarde, em um artigo sobre aquele encontro, Miller relatou que Pat admirava profundamente o físico alemão e era apaixonado por ciência, mas vinha enfrentando uma espécie de niilismo filosófico que ameaçava comprometer seu futuro acadêmico.
“Ele se perguntava qual era o sentido do esforço humano se o universo estava morrendo”, escreveu Miller em sua crônica, publicada em maio de 1955.
A conversa
O objetivo do editor da revista Life não parecia ser obter declarações impactantes de Einstein para uma reportagem. Na verdade, o próprio Miller admitiu que o grupo apareceu na casa do cientista sem aviso prévio. A intenção era oferecer algum tipo de inspiração ao filho.
A ideia não incomodou Einstein, que passou os minutos seguintes conversando com os visitantes sobre temas como ciência, religião e política. Aos poucos, porém, a conversa se voltou para a filosofia.
“A experiência nos revela a verdade? ”, perguntou Pat.
“Essa é uma pergunta difícil”, respondeu o laureado com o Prêmio Nobel. “As pessoas sempre veem as coisas sem ter certeza se realmente as estão vendo. A verdade é um conceito verbal que não pode ser submetido à comprovação matemática. ”
À medida que o debate avançava por questões filosóficas e epistemológicas, Miller aproveitou para expor aquilo que considerava o grande dilema do filho:
“Ele não consegue encontrar nenhum motivo para se esforçar ou buscar qualquer realização. ”
Einstein então respondeu:
“A questão da ondulação da luz não desperta sua curiosidade? ”
“Bem, sim. Acho que sim”, respondeu Pat.
Einstein continuou:
“Então não deixe de refletir sobre os motivos do que faz, nem sobre o porquê de fazer as perguntas que faz. O importante é nunca parar de questionar. A curiosidade tem seu próprio propósito. É impossível não se maravilhar diante dos mistérios da eternidade, da vida e da extraordinária estrutura da realidade. Basta tentar compreender um pouco desse mistério todos os dias. Nunca perca sua sagrada curiosidade. ”
Foi nesse momento que Einstein deu a Pat uma de suas lições mais conhecidas:
“Não tente se tornar um homem de sucesso, mas sim um homem de valor. Hoje em dia, o sucesso costuma ser visto como aquilo que tira mais da vida do que oferece. Já uma pessoa de valor entrega mais do que recebe. ”
Antes de se despedir, o físico ainda deixou um último conselho:
“Nunca deixe de se maravilhar. ”
Ao longo de sua vida, Einstein compartilhou inúmeras reflexões profundas, mas seu convite para priorizar o valor em vez do sucesso tornou-se uma de suas frases mais lembradas. E talvez isso faça sentido.
A própria ciência já apontou os riscos que a busca constante por aprovação pode trazer à saúde emocional e física, além de reforçar a importância de fatores como socialização e generosidade para o bem-estar.
Fonte: minhavida. com. br