
Há paisagens que parecem construídas por alguém. Em Ponta Grossa, no segundo planalto paranaense, blocos de arenito vermelho se equilibram no meio do campo aberto em formas que ganharam apelidos populares, e poços verticais de dezenas de metros se abrem no chão sem aviso. A cidade transformou essa geologia incomum no roteiro de natureza mais visitado do interior do estado.
Como a natureza esculpiu os arenitos do Parque Vila Velha
A resposta começa no fundo de um mar que não existe mais. A formação arenítica remonta ao período Carbonífero, há cerca de 340 milhões de anos, quando o mar interior que cobria a região foi drenado e deixou exposto um material arenoso que se consolidou cimentado por óxido de ferro, origem da cor avermelhada das rochas. Depois vieram os ventos e as chuvas, que desgastaram as partes frágeis e isolaram blocos inteiros.
O resultado é o cartão de visitas do Parque Estadual de Vila Velha, a 20 km do centro, onde a trilha principal passa por formações batizadas pelos moradores de Taça, Camelo e Proa do Navio. Criado em 1953, foi o primeiro parque estadual do Paraná e é administrado pelo Instituto Água e Terra (IAT), com a visitação operada por concessão.
O que são as Furnas e por que a Lagoa Dourada tem esse nome
As Furnas são cavidades verticais abertas no arenito, poços profundos que se formaram pelo desabamento do teto de antigas galerias subterrâneas. O conjunto está a poucos quilômetros dos arenitos e é acessado por mirantes e passarelas, com um elevador panorâmico que desce pela parede de uma delas.
A poucos passos está a Lagoa Dourada, que chama atenção pela transparência da água e pelos cardumes visíveis a olho nu. O conjunto de arenitos, furnas e lagoa é reconhecido como bem tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná, que situa a origem geológica da área em um ambiente marinho de cerca de 400 milhões de anos.
Uma cachoeira que despenca dentro de um buraco no chão
O Buraco do Padre é uma furna de cerca de 40 metros de profundidade, no distrito de Itaiacoca, onde as águas do rio Quebra Perna caem de aproximadamente 30 metros dentro de um anfiteatro rochoso. O nome vem dos padres jesuítas que usavam o lugar como refúgio para meditação, segundo a Secretaria Municipal de Turismo de Ponta Grossa.
O acesso é mais simples do que a paisagem sugere: uma trilha curta com passarelas de madeira leva até a boca da furna, e mirantes na parte alta mostram o conjunto de cima. Juntos, o Buraco do Padre e o Parque Vila Velha receberam mais de 120 mil visitantes ao longo de 2025, conforme levantamento do Governo do Estado do Paraná.
O que mais ver na cidade além das grandes furnas
A região concentra cachoeiras e afloramentos de rocha em raio curto a partir da área urbana. Veja o que costuma completar um fim de semana:
Cachoeira da Mariquinha: conjunto de quedas do rio Quebra Perna a cerca de 32 km do centro, com camping e mata de araucária ao redor.
Cachoeira do Rio São Jorge: queda de aproximadamente 30 metros após uma sequência de corredeiras, com cavernas e pinturas rupestres no entorno.
Balneário Capão da Onça: corredeiras do rio Verde sobre lajes de arenito, a cerca de 10 km da cidade.
Furnas do Passo do Pupo: outro conjunto de cavidades na zona rural, visitado em trilhas guiadas e autoguiadas.
Praça Barão do Rio Branco: centro histórico da cidade, com o marco zero, o obelisco aos fundadores e a Catedral de Sant’Ana.
Mosteiro da Ressurreição: comunidade beneditina em área rural, conhecida pelo canto gregoriano e pela produção artesanal vendida no local.
Quem sonha em viajar pelo Paraná, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 110 mil visualizações, onde Bruno e Paula mostram os encantos de Ponta Grossa:
A cidade paranaense onde a rocha virou paisagem
Ponta Grossa reúne em poucos quilômetros um museu geológico a céu aberto, cachoeiras que caem dentro da terra e um centro urbano de porte médio que serve de base confortável para tudo isso. Poucos destinos brasileiros oferecem essa combinação a uma hora de uma capital.
Você precisa subir aos Campos Gerais e ver de perto os arenitos de Vila Velha para entender por que eles ganharam nome próprio.
Fonte: revistaoeste. com