
Sting já explicou que os dois últimos discos do grupo refletiam uma fase em que ele queria escrever material mais pessoal, algo que nem sempre encaixava facilmente na dinâmica do trio. Ainda assim, ele considera "Synchronicity" o melhor trabalho do Police. "Era uma luta de poder entre três egos enormes. Mas o melhor disco que fizemos foi o último – se uma ideia conseguia passar por aquele processo, é porque ela tinha que ser boa".
O álbum terminou sendo o maior sucesso comercial da banda e reuniu músicas como "Every Breath You Take", "King of Pain", "Wrapped Around Your Finger" e "Synchronicity II". Ao mesmo tempo, as tensões internas estavam no limite, e o disco acabou sendo o último trabalho de estúdio do trio.
Andy Summers, porém, prefere olhar para uma fase anterior. Em entrevistas ao longo dos anos, ele apontou "Reggatta de Blanc", de 1979, como seu favorito porque ali o Police ainda soava cru, energético e faminto. "Nós ainda éramos inexperientes, e o álbum foi feito em dez dias", afirmou o guitarrista. "Ele carrega toda a empolgação de três caras jovens tentando vencer. "
Para Summers, aquele segundo disco capturou a identidade mais pura do trio. Ele destacou que, naquele momento, a banda já havia encontrado uma linguagem própria, mas ainda não estava cercada pelo peso da fama e da pressão que vieram depois. Em outra entrevista, disse que "Reggatta de Blanc" representa justamente o momento em que o Police ainda estava "em ascensão", tentando provar do que era capaz.
A diferença entre os dois discos ajuda a explicar a divergência. "Reggatta de Blanc" é mais enxuto, direto e centrado na química entre Sting, Summers e Stewart Copeland. Já "Synchronicity" amplia arranjos, instrumentação e ambição, ao mesmo tempo em que registra uma banda já muito maior e muito mais pressionada.
Curiosamente, o próprio Sting também reconheceu a importância de "Reggatta de Blanc". Em outra ocasião, disse que foi nesse álbum que "tudo se encaixou" e que as influências de reggae deixaram de soar como simples referências para virar parte natural da identidade do Police.
No fim, a discordância parece menos uma disputa sobre qualidade e mais uma diferença de perspectiva. Sting valoriza o refinamento e a força conquistada no encerramento da trajetória; Summers prefere o momento em que o trio ainda parecia estar descobrindo, em tempo real, o que poderia se tornar.
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