
De olho na força da população 60+, Ana Boyadjian lançou a startup Prateados, focada em promover a socialização entre aqueles que fazem parte de uma geração que reúne cerca de 34 milhões de brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Quando olhamos para o que é ofertado para esse público, a maioria é relacionado à sobrevida: convênio de saúde, home care, medicações ou cuidadores. Será que eles não querem consumir outras coisas e não têm necessidades além disso? ”, questiona.
Por meio de um aplicativo com comando de voz, a Prateados estimula o convívio com uma agenda presencial que contempla atividades físicas e passeios artísticos, como aula de dança, oficina de cerâmica, karaokê e sessão de cinema, acompanhados por profissionais, como terapeutas e preparadores físicos. A Prateados opera no modelo B2F (business to family) – com a autorização do usuário 60+, os familiares podem acompanhar informações e registros.
Os participantes podem escolher entre planos de assinatura, que variam de R$ 299 a R$ 799 – dependendo da quantidade das atividades realizadas –, experiências avulsas e uma programação de dois encontros semanais gratuitos para usuários do app. “Comecei a entender que um terço da economia está na mão dessa turma, detentora de crédito, que tem desejos e vontade de experimentar atividades”, comenta.
A startup iniciou uma fase piloto em fevereiro e recrutou 50 pessoas para testar a plataforma, de maneira bonificada, em troca de feedback. Foi neste período que Boyadjian percebeu a importância de incluir atividades gratuitas na entrega da Prateados. “Notamos que algumas pessoas não querem assinar ou não podem. Não queremos ter esse impeditivo em um negócio com o propósito de socialização”, destaca.
O aplicativo chega oficialmente ao mercado com 80 usuários rotativos e 420 interessados na fila de espera. Atualmente operando em São Paulo (SP), a startup tem planos para expandir nacionalmente a partir de fevereiro de 2027.
Para tirar a ideia do papel, a empreendedora investiu cerca de R$ 1 milhão de capital próprio – ela pretende levar o negócio como bootstrap por mais um tempo. Boyadjian tem 30 anos de experiência em comunicação, marketing e entretenimento. Prestes a completar 50 anos, ela atuava como articuladora de negócios, identificando bons projetos e conectando com marcas, de forma autônoma, quando teve o insight para a startup.
Parte da inspiração veio da sua própria experiência como a pessoa que costuma ser procurada por familiares que precisam de ajuda. “As demandas sempre vinham por burocracias: provas de vida, acompanhante para cirurgias. Comecei a questionar por que não me chamavam para ir ao cinema e a resposta teve um tom de tristeza: ‘Já te acionamos para tanto, não queremos te demandar mais’”. Olhando ao redor, ela viu que a situação era similar com amigos próximos.
Boyadjian ressalta que o modelo de negócios, com experiências presenciais que pedem a presença de profissionais, não se sustenta apenas com as assinaturas dos usuários. Empresas podem se tornar parceiras da Prateados, como o Espaço Petrobras de Cinema, que cede uma sala para os encontros da startup; patrocinadoras, apoiando eventos com o público 60+ como alvo; e anunciantes, com banners no aplicativo.
“Todos têm interesse em se comunicar com esse público, querem uma oportunidade para conversar com ele. As marcas que mais têm se identificado com a startup não são farmácias, hospitais, não temos esse foco para negociações”, afirma, mas acrescenta que apesar do interesse, o dinheiro para essa agenda costuma estar na área de ESG e não do marketing ou do comercial. “Existem restrições comerciais, porém, se quiserem vender para essa geração, vão ter de entrar com dinheiro de negócios”, alerta.
Boyadjian acredita que o próximo ano será mais próspero do ponto de vista de parcerias. Com mais de 50 eventos entregues até o momento, ela tem a expectativa de atingir 10 mil assinantes no primeiro ano de operação.
Fonte: revistapgn. globo. com