
A resposta é complexa e tem camadas e diferentes explicações. O canal "A história de uma revolução" lançou um vídeo dissecando as razões, que passam por possíveis brigas de bastidor até simplesmente falta de timing.
O primeiro desencontro foi de calendário. Quando a edição de estreia ocupou o Rio de Janeiro, entre 11 e 20 de janeiro de 1985, o RPM ainda dava os primeiros passos: tinha lançado apenas o compacto de "Louras Geladas", em 1984, e circulava pelo meio musical paulistano longe do fenômeno que viraria em seguida. Para o canal, se o festival tivesse acontecido um ano depois, dificilmente a banda, então provavelmente o maior nome da música jovem brasileira, teria ficado de fora.
Na segunda edição, em janeiro de 1991, o problema se inverteu: o RPM estava separado havia quase dois anos. Paulo Ricardo subiu ao palco do Maracanã em 26 de janeiro como artista solo, mas levou Fernando Deluqui na guitarra e Paulo P. A. Pagni na bateria, além de um repertório recheado de sucessos do grupo. Só Luiz Schiavon, que estava brigado com o vocalista, ficou de fora. O canal define aquela apresentação como algo que "era meio RPM", e por isso muita gente se lembra do show como se a banda tivesse tocado no festival.
Em entrevista resgatada no vídeo, Paulo Ricardo explica como foi essa edição: "Pediram para trocarmos de horário com o A-Ha e peguei o horário nobre daquela noite. Aí foi demais, porque estava tudo no talo, todas as luzes, todo o som, nada de meio som".
Foi justamente naquela noite, porém, que teria nascido o atrito. De acordo com duas fontes ligadas ao RPM ouvidas pelo canal, os atrasos na grade teriam obrigado Paulo a encurtar o show, o que o levou a protestar nos bastidores e a confrontar Roberto Medina. Irritado, o empresário teria decidido nunca mais contratá-lo. O próprio canal ressalta que o relato não foi confirmado publicamente por Paulo Ricardo, por Medina ou por qualquer integrante identificado da produção.
O histórico posterior combina com a versão, embora não a comprove. Paulo só voltou ao Rock in Rio em 20 de janeiro de 2001, como convidado dos Engenheiros do Hawaii, quando o RPM estava parado. A ausência mais difícil de explicar veio em 2011: com a formação clássica reunida, turnê nova e o álbum "Elektra" recém-lançado, a banda chegou a ser especulada para o retorno do festival ao Brasil, mas ficou fora da escalação final.
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