
A resposta parece passar por uma combinação de fatores antigos e recentes. O primeiro deles está na própria saída do músico da banda, ainda nos anos 1980.
Segundo relato atribuído a Leoni em entrevista ao Pitadas do Sal, a decisão de deixar o grupo nasceu de três frustrações centrais: a vontade de cantar mais, a falta de ensaios e a famosa confusão com Paula Toller que entrou para o folclore do rock brasileiro como a história da "pandeirada".
Leoni afirmou que, desde o começo, queria mais espaço como cantor. No Kid Abelha, conseguiu interpretar algumas músicas, mas continuava se sentindo limitado. "No começo eu só tocava baixo. Depois aprendi a cantar e tocar ao mesmo tempo, e queria fazer mais. Mas no Kid não havia espaço para isso", disse, segundo o texto anexado.
Outro incômodo era a rotina da banda. De acordo com o relato, o grupo ensaiava pouco, o que, na visão de Leoni, impedia a construção de uma identidade musical mais orgânica. "A gente ou estava gravando, ou em programa de TV, ou em turnê. Não havia tempo para desenvolver uma linguagem própria de banda", afirmou.
O terceiro ponto é o mais lendário. Segundo a mesma reconstrução, a saída ganhou forma definitiva após uma briga nos bastidores em 1987, quando Paula Toller teria arremessado um pandeiro que atingiu o músico. Leoni disse que já havia avisado que deixaria a banda ao fim da turnê, mas que, depois da confusão, "ficou impossível continuar".
A ruptura não foi pequena. George Israel já contou, anos depois, que a saída de Leoni foi um choque também para a própria estrutura do Kid Abelha. Em entrevista ao Corredor 5, citada no material enviado, ele disse que a gravadora "meio que deu uma desacreditada" na banda quando o baixista saiu. Isso mostra o tamanho do papel de Leoni na engrenagem criativa do grupo naquele momento.
Mesmo assim, Leoni rapidamente abriu outro caminho. Poucos meses depois, já estava gravando o primeiro disco do Heróis da Resistência, banda em que encontrou exatamente o espaço que dizia procurar. "Eu queria uma banda em que pudesse cantar, compor e tocar todos os dias. Nos Heróis, finalmente encontrei isso", resumiu.
Se os desgastes antigos já ajudavam a explicar a ausência na reunião atual, os conflitos mais recentes tornaram esse afastamento ainda mais evidente. O texto lembra a disputa judicial envolvendo "Pintura Íntima", música composta por Paula Toller e Leoni, usada em versões ligadas à campanha presidencial de Fernando Haddad, em 2018, sem autorização da cantora.
Paula levou o caso à Justiça e venceu. Segundo decisão mantida pela 16ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, Leoni foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais, além de valores ligados ao uso indevido da obra. A decisão mencionou "uso indevido da obra musical em campanha publicitária" e rejeitou a tese de que se tratava apenas de paródia ou liberdade de criação.