
A história envolve uma comparação inesperada com o Journey e uma preocupação que, no fim, se mostrou totalmente infundada.
Segundo matéria assinada por Justin Beckner para o Ultimate Guitar, Prince temia que "Purple Rain" soasse parecida demais com "Faithfully", balada lançada pelo Journey em 1983. A razão? Ambas as músicas utilizam a mesma progressão de acordes I–V–vi–IV, uma das mais comuns da música popular.
O próprio Jonathan Cain confirmou o episódio. De acordo com ele, Prince chegou a tocar "Purple Rain" para pedir uma opinião sincera. A resposta foi direta: não havia motivo para preocupação. "Não existe dono de quatro acordes", explicou Cain, destacando que esse tipo de estrutura harmônica é praticamente um idioma universal na música.
A insegurança chama atenção justamente por vir de quem veio. Como aponta o texto, tratava-se de "um dos compositores harmonicamente mais aventureiros de sua geração" questionando uma canção baseada em uma progressão simples. E isso diz muito sobre o nível de exigência que Prince tinha com o próprio trabalho.
Na prática, a comparação entre as duas músicas não se sustenta quando se vai além da teoria. Enquanto "Faithfully" aposta em um romantismo típico do arena rock, "Purple Rain" transforma a mesma base em algo quase espiritual. A canção cresce de forma gradual, até atingir um clímax que soa mais próximo de um hino gospel do que de uma balada convencional.
O texto reforça esse ponto ao destacar que "os acordes não estão fazendo o trabalho pesado - tudo ao redor deles está". Arranjo, dinâmica, interpretação e emoção são os elementos que diferenciam completamente as duas composições, mesmo partindo de uma base semelhante.
Também é importante esclarecer o que é fato e o que é especulação. Há registro de que Prince realmente teve essa preocupação e buscou a opinião de Cain. Por outro lado, não há evidências de que ele tenha considerado descartar a música ou que tenha havido qualquer risco de disputa legal.