
Em entrevista resgatada recentemente pela revista Far Out, o músico foi direto ao falar sobre sua relação com os álbuns que gravou ao longo da carreira. "Eu não gosto dos meus discos; eu não consigo ouvi-los. "
Apesar da declaração contundente, há um título que foge à regra: On Every Street (1991), o último álbum de estúdio da banda. Segundo Knopfler, esse é o único trabalho que ele consegue revisitar sem incômodo - e o motivo está na forma como foi gravado. "Mas eu consigo ouvir esse. Acho que uma das razões é que eu estava determinado a fazer todo mundo tocar junto, interagindo, sem mexer demais depois. "
Segundo Tim Coffman, autor do texto, a escolha por uma abordagem mais orgânica no estúdio fez toda a diferença. Em vez de construções excessivamente polidas ou fragmentadas, o disco buscou capturar a banda tocando "ao vivo", com mais espontaneidade. "Esse método acabou aproximando o som do Dire Straits de uma tradição mais crua e direta, algo que Knopfler sempre valorizou como compositor", concluiu.
O curioso é que essa preferência vem justamente após o maior sucesso comercial do grupo, Brothers in Arms (1985), que levou a banda ao topo do mundo com hits e produção mais refinada. Já On Every Street representou uma espécie de retorno às origens - menos preocupado com tendências e mais focado na interação musical entre os integrantes. Além disso, o álbum acabou se tornando também o capítulo final da banda em estúdio, encerrando a trajetória do Dire Straits nos anos 1990.