
A composição inédita de Marina Lima, Arthur Kunz e Renato Gonçalves é sustentada por base de reggaeton, gênero musical latino até então totalmente dissociado da discografia da artista. Envolvente, essa base é o trunfo de gravação que traz Marina de volta à pista.
Com melodia rala e fragmentada, cortada pelos diálogos que conduzem a narrativa de “Olívia” nas vozes de Pablo Morais e Fabiana Kherlakian, a música é ambientada na atmosfera noturna e sensual da festa da personagem-título da letra, escrita por Marina com inspiração em post de rede social que expunha o temperamento forte de uma macaca chamada Olívia. De acordo com a narrativa da autora da postagem, a macaca tirava a roupa sempre que ficava contrariada.
Com base nesse inusitado ponto de partida, Marina escreveu os versos e os diálogos de “Olívia”, tema formatado em estúdio com produção musical da própria artista, com a colaboração de Arthur Kunz e de Renato Gonçalves (este na criação do arranjo assinado com Marina e Kunz).
Marina Lima (voz, programação, teclados, samplers e diálogos) costura com Arthur Kunz (beats, synth e programação) a linha da gravação pontuada por ruídos de ambiente festivo. Determinadas passagens do fonograma evocam de longe a timbragem do invólucro instrumental de “Pierrot” (Marina Lima, 1998), música de outra era da artista.
Contudo, Marina Lima não se prende ao passado em “Olívia”. Diferente de tudo o que Marina Lima já apresentou desde 1978, o single “Olívia” reitera que o tempo da artista é hoje.